Perguntas e respostas

Biotecnologia é um ramo da ciência que aplica os conceitos da moderna engenharia genética na geração de novos produtos na agricultura, nos processos industriais ou na medicina. Na agricultura, por exemplo, temos plantas geneticamente modificadas que ficaram conhecidas no jargão popular como plantas transgênicas.

A palavra Biotecnologia só foi adotada recentemente. Contudo, já há muito tempo o homem conhece e domina alguns processos biológicos com o intuito de produzir algum produto que o beneficie. A fermentação é um exemplo muito evidente disso. Registros históricos mostram que desde 1800 a.C já se fazia vinho e outros tipos de fermentados.

A Biotecnologia atual envolve principalmente o uso do DNA, ou ADN na sigla em português. A descoberta da estrutura básica da molécula do ADN em 1953, pelo norte-americano James Watson e pelo britânico Francis Crick, possibilitou avanços muito significativos na área da biologia molecular e, consequentemente, no conhecimento dos genes e das suas funções básicas.

 

 

Transgênico é sinônimo para a expressão "Organismo Geneticamente Modificado" (OGM). É um organismo que recebeu um gene de outro organismo doador. Essa alteração no seu DNA permite que mostre uma característica que não tinha antes. Na natureza, as alterações ou mutações naturais ocorrem com frequência. No caso de um OGM, os cientistas controlam essa alteração e depois estudam a fundo se o produto final é equivalente ao produto não modificado.

 

 

Os OGMs ou transgênicos são respostas da ciência para problemas que afetam a humanidade, como: doenças, fome, problemas no clima (seca, por exemplo). A biotecnologia oferece muitas possibilidades para melhorar a qualidade de vida da população. Um dos principais objetivos é desenvolver plantas resistentes a doenças e pragas agrícolas para tornar a agricultura menos dependente da aplicação de produtos químicos, melhorando a qualidade do alimento que chega à mesa dos consumidores.

Vale ressaltar que os cientistas não inventaram essas técnicas em laboratórios. Foi observando a natureza que eles repararam que alguns organismos têm a capacidade natural para transferir características genéticas, como é o caso, por exemplo, de uma bactéria do solo, chamada Agrobacterium tumefasciens, que há milênios transfere genes naturalmente. Eles passaram, então, a utilizar essa bactéria para transformar plantas em laboratório em prol de uma agricultura mais saudável.

 

 

Não. A evolução das técnicas de engenharia genética levou a métodos mais rápidos e eficientes de transformação genética. O mais utilizado hoje é o de biobalística, a partir do qual, o gene é "literalmente" bombardeado para dentro da planta que se quer transformar. Com isso, o gene bombardeado se incorpora ao DNA da planta, transformando-a numa planta geneticamente modificada ou transgênica.

 

 

Não. A engenharia genética é uma das vertentes da biotecnologia, que como já foi afirmado na primeira resposta, é uma ciência bem mais ampla. A engenharia genética é a parte da biotecnologia responsável pela compreensão do funcionamento dos genes e a capacidade de manipulá-los em laboratório. Por meio de pesquisas, os cientistas podem usar a biotecnologia e a modificação dos genes para, por exemplo, transformar um alimento convencional em outro que seja resistente a doenças, ou desenvolver variedades de produtos enriquecidos nutricionalmente, ou ainda melhorar o sabor de um alimento, entre muitas possibilidades.

 

 

Em 2014, se completam duas décadas do desenvolvimento do primeiro produto alimentar geneticamente modificado no mundo – um tomate com maior durabilidade criado na Califórnia, Estados Unidos. Vinte anos depois, o mercado de transgênicos na agricultura é cada vez mais expressivo.  A cada 100 hectares plantados com soja hoje no Planeta, 80 são de sementes com genes alterados. No caso do milho, são 30 para cada 100.

Nessas duas décadas, a área com culturas transgênicas subiu 100 vezes, de 1,7 milhões de hectares para 175,2 milhões. Os Estados Unidos lideram o plantio, seguidos pelo Brasil e Argentina.

No Brasil, foram plantados 40,3 milhões hectares com sementes de soja, milho e algodão transgênicos em 2013, com um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Hoje, das culturas cultivadas em nosso país com biotecnologia, 92% da soja é transgênica, 90% do milho e 47% do algodão também é geneticamente modificado.

 

 

As opções de aplicação são infinitas e podem cobrir as mais diversas áreas. Na agricultura sustentável, por exemplo, a Biotecnologia permite produzir mais comida, com qualidade, a um custo menor e sem necessidade de aumentar a área de cultivo. Atualmente, os OGMs já estão contribuindo significativamente para sustentar o aumento da demanda de produtividade por hectare, que é a área de plantio utilizada pelo produtor. Como não restam muitas fronteiras agrícolas (terras novas para plantar), é necessário produzir mais em cada hectare plantado. Mas, além do aumento da produtividade, a Biotecnologia pode trazer outros benefícios como plantas mais nutritivas ou com composição mais saudável.

 

 

A Lei Brasileira de Biossegurança (11.105/05), que regula as atividades com transgênicos e de Biotecnologia em geral, está entre as leis mais rigorosas do mundo. Essa legislação determina que, desde a sua descoberta até chegar a ser um produto comercial, um transgênico é obrigado a passar por muitos estudos, que levam aproximadamente 10 anos de pesquisa. Esses estudos buscam garantir a segurança alimentar e ambiental do produto final. Somente depois de analisado e aprovado pela CTNBio é que o produto vai para o mercado. Ou seja, a produção de transgênicos é uma atividade legal e legítima, regida por legislação específica e pautada por rígidos critérios de biossegurança.

 

 

É a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. Vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, essa comissão envolve especialistas em várias áreas do conhecimento cientifico, que se reúnem mensalmente para analisar todas as propostas de pesquisas com o OGMs, em todas as áreas, não só na agricultura. Esse grupo avalia cada produto geneticamente modificado, considerando possíveis impactos ao meio ambiente, à saúde humana e animal, e à agricultura. Ao final de todas as análises, a CTNBio emite um parecer conclusivo, liberando ou não o referido produto para a comercialização. Mais de 120 instituições públicas e privadas já foram credenciadas junto ao órgão para desenvolver pesquisas com organismos geneticamente modificados. A Embrapa é uma delas.

 

 

A Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, com mais de 40 anos de experiência, é referência mundial em pesquisas e tecnologias para a agricultura.

Na área de transformação genética de plantas, a Empresa atua desde a década de 80, com o objetivo de contribuir para uma agricultura mais produtiva e sustentável, a partir do desenvolvimento de variedades tolerantes ou resistentes a doenças, visando reduzir as aplicações de defensivos químicos nas culturas agrícolas. Pesquisas nessa área estão sendo desenvolvidas com diversas espécies agrícolas, como: soja, feijão, arroz, milho, algodão, alface, batata, café, cana de açúcar e mamão, entre outras.

Paralelamente a essas pesquisas, a Embrapa desenvolve também estudos que caracterizam a vanguarda da biotecnologia, conhecida como a terceira geração de OGMs. Nessa etapa, os pesquisadores da Empresa estão empenhados no desenvolvimento de uma nova plataforma tecnológica para expressar moléculas de alto valor agregado: a utilização de plantas, animais e microrganismos geneticamente modificados como biofábricas para produção de insumos, como medicamentos e fibras de interesse da indústria, entre outros. As fábricas biológicas representam um meio econômico e seguro para a produção de insumos em larga escala.

As pesquisas com OGMs na Embrapa são coordenadas por uma de suas 46 unidades distribuídas por todo o Território Nacional: a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, DF. Essa Unidade reúne a maior parte das pesquisas da Empresa nesse campo.

 

 

A Embrapa já obteve aprovação da CTNBio para cultivo comercial  de dois produtos GM: o feijão transgênico resistente ao vírus do mosaico dourado e a soja transgênica tolerante a herbicidas da classe das imidazolinonas, denominada Cultivance®, em parceria com a Basf.

 

 

Imagine, por exemplo, uma planta contaminada por um vírus ou uma bactéria. O que é melhor: tratá-la com remédios ou evitar que ela fique doente? É claro que é a segunda opção. Então, vamos analisar um exemplo real: o feijão nosso de cada dia – que, junto com o arroz, fornece uma combinação deliciosa e altamente nutritiva - é vítima de um vírus chamado mosaico dourado. Esse vírus, quando contamina uma lavoura de feijão, causa perdas de 100%. É a pior ameaça a esse alimento no Brasil.

A Embrapa, sempre na vanguarda da pesquisa agropecuária, começou a estudar formas de controlar esse vírus a partir de técnicas de engenharia genética.

Os cientistas de duas unidades da Embrapa – a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (em Brasília, DF) e a Embrapa Arroz e Feijão (Goiânia, GO) chegaram a um método capaz de produzir plantas resistentes ao mosaico dourado.

Eles descobriram que inserindo pequenos fragmentos do próprio vírus na planta de feijão conseguiam ativar o seu sistema imunológico, tornando-a imune ao mosaico dourado. Exatamente como uma vacina! 

Depois da descoberta, eles multiplicaram as plantas em laboratório e começaram a testá-las no campo, expondo-as ao vírus. Os resultados foram muito satisfatórios e as plantas não foram contaminadas, comprovando a sua imunidade ao vírus do mosaico dourado.

Desde que começou a ser estudado nos laboratórios da Embrapa até a aprovação para cultivo comercial pela CTNBio em 2011, passou por exaustivos testes de campo em todas as regiões brasileiras produtoras de feijão com o objetivo de avaliar a segurança alimentar e ambiental.

Além de seguro, o feijão transgênico da Embrapa é um exemplo significativo de impacto social e alimentar do uso da engenharia genética. No Brasil o feijão é uma cultura de extrema importância social, já que é produzido basicamente por pequenos produtores, com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com menos de 100 hectares.

As variedades transgênicas de feijão garantem vantagens econômicas e ambientais, com a diminuição das perdas, garantia das colheitas e redução na aplicação de defensivos agrícolas.

 

 

Desenvolvida em parceria entre a Embrapa e a BASF, a soja Cultivance® foi o primeiro OGM vegetal desenvolvido inteiramente no Brasil. Essa conquista marcou uma nova era para as atividades de biotecnologia das empresas e é resultado de mais de 10 anos de desenvolvimentos em conjunto. A BASF e a Embrapa compartilham a crença de que a biotecnologia vegetal, aplicada de acordo com os princípios da sustentabilidade, traz importantes resultados para a sociedade, permitindo que agricultores brasileiros tenham acesso a alternativas tecnológicas avançadas, com ganhos econômicos e maior eficiência na responsabilidade de manter os recursos naturais.

A Cultivance® é tolerante a herbicidas da classe das imidazolinonas e estima-se que no Brasil possa ocupar de 15 a 20% do mercado de transgênicos.

 

 

Sim. Muitos outros. As pesquisas desenvolvidas pela Unidade nesse campo buscam soluções sustentáveis para os desafios agrícolas e alimentares das gerações atuais e futuras, como: resistência a doenças e pragas, tolerâncias a estresses climáticos, entre muitas outras características de interesse agronômico.

No momento, estão em desenvolvimento na Embrapa:

  • Café com resistência à broca (Hypothenemus hampei), a mais nociva praga do café, capaz de causar perdas anuais de cerca de US$ 500 milhões.
  • Algodão resistente ao bicudo (Anthonomus grandis), um dos piores problemas enfrentados pelos cotonicultores no Brasil cujo controle pode chegar a 25% do custo de produção. 
  • Cana de açúcar resistente à broca gigante (Telchin licus licus), a pior praga na região Nordeste do Brasil, onde causa perdas anuais de cerca de R$ 34 milhões, e com tolerância à seca.
  • Alface com 15 vezes mais ácido fólico, ou vitamina B9, do que as variedades convencionais.

 

 

Os vegetais transgênicos podem ser classificados em três gerações, segundo a ordem cronológica de aparecimento das culturas e a característica apresentada por cada geração.

  • 1ª Geração- reúne as plantas geneticamente modificadas com características agronômicas resistentes a herbicida, a pragas e a vírus. Formam o primeiro grupo de plantas modificadas. Foram disseminadas nos campos na década de 80 e até hoje compõem o grupo de sementes GMs mais comercializadas no mundo.
  • 2ª Geração - Nesse grupo estão incluídas as plantas cujas características nutricionais foram melhoradas tanto quantitativamente como qualitativamente. Compreende um grupo de plantas pouco difundido no mundo, porém, os campos experimentais já são significativos.
  • 3ª Geração- Representado por um grupo de plantas destinadas à síntese de produtos especiais, como vacinas, hormônios, anticorpos e plásticos. Estes vegetais estão em fase de experimentação e brevemente estarão no mercado.

 

 

Sim. Concomitantemente à segunda geração de OGMs, a Embrapa já está empenhada em pesquisas caracterizadas como de terceira geração. Nessa fase, os estudos são voltados à produção de plantas que funcionam como vacinas e medicamentos, entre outras aplicações.

Um dos destaques nessa área é o desenvolvimento de uma nova plataforma tecnológica para expressar moléculas de alto valor agregado: a utilização de plantas, animais e microrganismos geneticamente modificados como biofábricas para produção de insumos, como medicamentos e fibras de interesse da indústria, entre outros. As fábricas biológicas representam um meio econômico e seguro para a produção de insumos em larga escala.

Outro estudo que merece ser ressaltado é a produção de biofármacos, ou medicamentos biológicos, como também são chamados, obtidos por fontes ou processos biológicos, a partir do emprego industrial de microrganismos ou células modificadas geneticamente. Esses processos biotecnológicos fazem parte da biotecnologia voltada à saúde, que engloba também diagnósticos, terapias celulares e células-tronco, terapias gênicas e vacinas, entre outros.

A expectativa da Embrapa ao investir em pesquisas com biofármacos é fazer com que esses medicamentos cheguem ao mercado farmacêutico com menor custo, já que são produzidos diretamente em plantas, bactérias ou no leite dos animais.  Existem evidências de que a utilização de biofábricas pode reduzir os custos de produção de proteínas recombinantes em até 50 vezes.