Grupo de Herbologia da Embrapa – GherbE

Identificação de espécies daninhas resistentes

O uso repetido de herbicidas com mesmo mecanismo de ação para controlar plantas daninhas, em um mesmo ciclo da cultura e continuado durante anos, sem a adoção de práticas de manejo para prevenir a resistência, é a principal causa do surgimento e dispersão de populações resistentes a herbicidas no Brasil. A resistência é a capacidade adquirida por uma planta em sobreviver a dose registrada (dose indicada na bula) de um herbicida que, em condições normais, controla os demais integrantes da mesma população. Assim, para ser considerada resistente a um herbicida, a planta necessita ter histórico de sensibilidade, transmitir hereditariamente a resistência e sobreviver à dose de bula do produto indicada para o controle da espécie. A planta é sensível a um herbicida quando o seu crescimento e desenvolvimento são alterados pela ação do produto, sendo que a resposta final é a morte da planta ou completa supressão do crescimento. Já a tolerância é a capacidade que algumas espécies possuem em sobreviver e se reproduzir após o tratamento herbicida, mesmo sofrendo injúrias. A tolerância pode estar relacionada ao estádio de desenvolvimento e às características morfofisiológicas da espécie, como composição da cutícula que altera a absorção do herbicida. Como exemplos de plantas daninhas tolerantes a herbicidas podem ser citados a poaia (Richardia brasiliensis), a corda-de-viola (Ipomoea sp.), o leiteiro (Euphorbia heterophylla) e a trapoeraba (Commelina benghalensis), todas tolerantes ao glifosato.