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Dia de campo apresenta benefícios do ILPF para a agropecuária no Semiárido

Foto: Alexandre Oliveira

Alexandre Oliveira - A URT de Tacima conta com áreas demonstrativas cultivadas com milheto, feijão guandu, algodão, sorgo, milho, braquiárias Brizantha, Piatã, Massai, Tamani e Mombaça, solteiras e em consórcio

A URT de Tacima conta com áreas demonstrativas cultivadas com milheto, feijão guandu, algodão, sorgo, milho, braquiárias Brizantha, Piatã, Massai, Tamani e Mombaça, solteiras e em consórcio

“Não podemos mais produzir como os nossos avós. ” Com essa frase, o representante do Plano ABC na Paraíba e chefe substituto da Divisão de Produção, Política e Desenvolvimento Agropecuário da Superintendência Federal de Agricultura no Estado da Paraíba (SFA/PB), Hermes Ferreira Barbosa, abriu o dia de campo sobre Integração Lavoura Pecuária Floresta – ILPF como estratégia para o negócio agropecuário, realizado na última terça-feira, na Unidade de Referência Tecnológica (URT) de Tacima, PB. “Essa URT é um desafio aos nossos agricultores a sair do sistema de cultivo tradicional da época dos nossos avós para a adoção de técnicas modernas perfeitamente adaptáveis à nossa região”, conclamou.

O evento reuniu cerca de 60 participantes, entre agricultores, técnicos e autoridades do setor, na Fazenda Velho Inácio, onde está instalada a URT. “Esse é um momento muito importante para nossos pequenos criadores e agricultores do território do Curimataú, que irão aprender técnicas para facilitar a vida no campo”, afirmou o prefeito de Tacima Erivan Bezerra. Por sua vez, o Secretário de Agricultura da Paraíba Efraim Morais enfatizou a importância da união instituições públicas e privadas em benefício do agricultor. “A parceria de todos em prol da agricultura é fundamental. Está na hora do Brasil entender que a agricultura é prioridade para todos nós”, declarou.

A URT de ILPF em Tacima conta com áreas demonstrativas cultivadas com milheto, feijão guandu, algodão, sorgo, milho, braquiárias Brizantha, Piatã, Massai, Tamani e Mombaça, solteiras e em consórcio. “Essas são plantas de rápido aprofundamento do sistema radicular com foco na recuperação dos solos degradados da Paraíba e também para gerar reserva de alimento para os animais no período de seca”, explicou o supervisor de Transferência te Tecnologia da Embrapa Algodão Geraldo Di Stefano.

O chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Algodão João Henrique Zonta frisou que a Embrapa levou para o dia de campo o que tem de melhor para a agricultura no Semiárido. “Nós vamos apresentar um modo de produzir o máximo com pouca água e ainda melhorar o solo com o passar do tempo. E como passar pelos momentos de estiagem e seca sem tanta dificuldade, armazenando alimento para os animais. Com as tecnologias corretas é possível produzir bem, mesmo com a água escassa e fazer com que a Paraíba volte a ser um grande produtor de grãos e de carne”, disse.



Durante o evento, o professor da Universidade Federal da Paraíba Adailson Pereira Sousa reforçou a importância das árvores para o conforto térmico animal e reestruturação do perfil do solo, bem como da construção da fertilidade do solo. “Quando o animal está comendo o pasto, ele está comendo os nutrientes do solo, então nós precisamos repor esses nutrientes”, explicou. Segundo ele, a chuva em falta ou em excesso traz prejuízos se o solo não estiver protegido por uma cobertura vegetal, seja de árvores ou pastagens. “É preciso criar mecanismos para facilitar a entrada da água no solo, evitando com que ele escorra junto com a enxurrada. E as raízes funcionam com canudos que facilitam a infiltração da água”, acrescentou.

Ainda conforme o professor, a temperatura embaixo das árvores cai entre 3 a 4 graus, o que também reduz a perda de água pela radiação e ainda são uma alternativa de ração animal na estiagem. “Nós podemos criar verdadeiras caixas d’água no solo; quanto mais profundo ele for, mais aguenta a estiagem. Então, em vez de pensar só em cisternas, vamos investir nas caixas d’água do solo”, convidou.

Os participantes também puderam conferir uma parcela de algodão que conseguiu produzir com apenas 300 mm de chuva. “Como vocês podem ver, essa é uma planta extremamente adaptada ao Semiárido. Vamos ter aqui cerca de 1.300kg/ha com o mínimo de água. Mas para que essa cultura volte a crescer na região é preciso ficar atento ao manejo do bicudo, destruir os restos do algodão após a colheita para evitar que a praga seja um problema na safra seguinte”, alertou Zonta.

O produtor Oziel Fernandes, do assentamento Vazante, no município de Tacima, cria animais, cultiva algodão, mandioca e diversas árvores frutíferas e foi ao evento buscar informações sobre como melhorar o manejo na sua área e garantir forragem para os animais. “Eu achei interessante o milho com o capim dentro porque quando tirar o milho, fica o capim para a seca e o solo não fica descoberto, assim a chuva não vai levar ele”, disse.

O dia de campo contou com a parceria do Plano ABC, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Rede ILPF, Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer), Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Prefeitura de Tacima.

 

Edna Santos (MTB/CE 1700)
Embrapa Algodão

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