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Potencial florestal do Brasil é destacado na abertura da Expoforest

Foto: Ana Maio

Ana Maio - Milhares de visitantes estiveram no primeiro dia da Expoforest, em Santa Rita do Passa Quatro

Milhares de visitantes estiveram no primeiro dia da Expoforest, em Santa Rita do Passa Quatro

A liderança mundial do mercado de florestas plantadas, o volume de negócios envolvendo o setor e as tecnologias de ponta disponibilizadas aos produtores foram lembrados na abertura da Expoforest 2018, a quarta edição da maior feira florestal da América Latina. O evento foi aberto nesta quarta (11) no Horto Florestal Vale Aprazível, em Santa Rita do Passa Quatro (SP).

A expectativa é que 30 mil visitantes dos cinco continentes passem pelo recinto até sexta (13), dia do encerramento. Só no primeiro dia, mais de 10 mil pessoas passaram pela área. A Expoforest acontece a cada quatro anos e a Embrapa está participando das demonstrações dinâmicas pela primeira vez. A feira é realizada pela empresa Malinovski, especializada em consultoria, eventos e comunicação florestal, e neste ano conta com 240 expositores – em 2014 foram 208 e em 2011, 128.

Jorge Malinovski disse na abertura que a última edição movimentou R$ 150 milhões em negócios. “O Brasil é líder mundial na produção de madeira de florestas plantadas e há várias áreas disponíveis para o plantio de novas florestas, que devem ser implantadas com tecnologia de ponta”, falou. Ele destacou que a exposição tem a pretensão de se tornar a melhor feira florestal do mundo.

João Salomão, coordenador-geral de Florestas e Assuntos da Pecuária do Mapa (Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento), afirmou que o ministério reconhece a grandiosidade do setor, que investe, cresce e gera milhares de empregos mesmo em momento de crise. “A cada 100 hectares plantados temos de 60 ha a 70 ha preservados. O segmento responde por 15% das exportações brasileiras.” Salomão disse também que o setor ainda tem entraves, como o licenciamento ambiental – “a legislação deve reconhecer os serviços que o setor florestal fornece”.

Rodrigo Davoli, vice-presidente da International Paper para a América Latina e presidente da IP Brasil – empresa que forneceu o espaço para a realização da feira –, reforçou o compromisso com o desenvolvimento do setor florestal. “Realizamos pesquisas, geramos tecnologias, investimos em pessoas do segmento, nos reunimos com instituições de renome para parcerias. A expectativa é que o setor continue crescendo, com a missão de melhorar a vida das pessoas e do Planeta.”

O chefe-geral da Embrapa Florestas, Edson Tadeu Iede, lembrou que a pesquisa florestal na Embrapa está completando 40 anos em 2018. “É um momento para lembrarmos o quanto o setor contribuiu para a economia do país. Conseguimos triplicar a produtividade de florestas plantadas, que hoje é de 40m3, chegando até a 60 m3. Isso aconteceu graças ao empenho do governo e de empresas, em parceria com a pesquisa.”

Iede aproveitou para convidar os participantes a visitar o estande da Embrapa que mostra esse ano a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), uma inovação que já foi implantada em 11 milhões de hectares no país. Nem todos os sistemas integrados possuem árvores, mas elas são essenciais para quem pretende produzir a Carne Carbono Neutro, um protocolo da Embrapa para certificar a produção sustentável.

A abertura teve ainda a manifestação de Edmilson Domingues, secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Turismo e Serviços de Ribeirão Preto, representando o prefeito Duarte Nogueira. Ele convidou o público a explorar o potencial turístico da região e lembrou que de 30 de abril a 4 de maio Ribeirão sedia a 25ª Agrishow, uma das maiores feiras agropecuárias do Brasil.

O próximo a se pronunciar foi o secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Maurício Brusadin, que destacou as florestas plantadas como possibilidades de armazenamento de CO2. “Somos superavitários em sequestro de carbono. Cumprimos o papel de reduzir os impactos das mudanças climáticas. Por isso essa atividade merece o olhar de todo o Planeta”, afirmou.

Para finalizar, o prefeito de Santa Rita do Passa Quatro, Leandro Luciano dos Santos, deu as boas-vindas aos participantes e agradeceu aos organizadores do evento por colocarem a cidade no mapa do mundo. “A gente não tinha noção do tamanho da feira e da forma como ela foi estruturada. Isso aquece o turismo regional – os hotéis de vários municípios estão lotados.”

Após a cerimônia de abertura, as autoridades foram convidadas a acompanhar o plantio de uma muda de eucalipto que simbolizou a exposição de 2018. Em seguida as dinâmicas começaram e os convidados puderam acompanhar o que há de mais atual em tecnologia para florestas plantadas.

ILPF

O estande da Embrapa trouxe, pela primeira vez, a tecnologia do ILPF para a Expoforest. Durante todo o dia, técnicos e dirigentes florestais, gestores de fazendas e estudantes de ciências agrárias e florestais passaram pelo local para obter mais informações sobre o sistema de integração.

De acordo com o analista Helio Omote, do Setor de Gestão de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP), foi implantado na área 1 ha de sistema silvipastoril. O arranjo ficou com linhas duplas de eucalipto, com espaçamento de 15 metros entre as linhas. Na entrelinha foi plantado capim Piatã. A área está ocupada por quatro bovinos da raça Guzerá. Além do silvipastoril, será apresentada uma vitrine de forrageiras com quatro parcelas de cultivares de Ipyporã,  Piatã, Paiaguás e Marandu.

O sistema integrado permite a diversificação da produção na mesma área: carnes/leite e produtos florestais, aumento da renda por unidade de área pela integração da produção de madeiras com a pastagem e bem-estar animal: pastagens adequadamente arborizadas proporcionam proteção aos animais contra intempéries climáticas impactando positivamente na saúde e desempenho produtivo dos animais.

Além disso, o sistema silvipastoril favorece a conservação do solo, já que a presença das árvores ajuda no controle de erosão e melhora a característica física do solo, permitindo a infiltração de água e menor escorrimento superficial. “As árvores melhoram a fertilidade do solo, aumentando o teor de matéria orgânica e ciclagem de nutrientes”, finalizou Omote.

Para o Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Florestas, Vanderley Porfírio-da-Silva, “trouxemos algo inovador para a feira, que é a ILPF. E já neste dia tivemos um excelente retorno nas visitas e contatos de interessados em implantar esta tecnologia. Além da ILPF, trouxemos informações e tecnologias destes 40 anos de pesquisa florestal realizados pela Embrapa”.

José Ricardo Pezzopane, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste que participou da dinâmica junto com Porfírio e com a pesquisadora Fabiana Villa Alves, da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), disse que ficou surpreso com o interesse dos visitantes sobre o sistema ILPF. Durante todo o dia os três atenderam centenas de interessados no estande da Embrapa.

Fabiana completou dizendo que o Brasil vem trabalhando atualmente com o protocolo Carne Carbono Neutro e a ILPF é a tecnologia que possibilita que a nossa pecuária seja mais sustentável.

Saiba mais sobre a Expoforest neste vídeo.

 

Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

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