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ILPF para toda América Latina

Foto: Juliana Miura

Juliana Miura - Pesquisadores na área experimental de ILPF

Pesquisadores na área experimental de ILPF

É possível integrar lavoura, pecuária e floresta em outros países da América do Sul? Essa foi a resposta que sete pesquisadores de países vizinhos vieram buscar em visita à Embrapa Cerrados. 

No último dia 21, pesquisadores do Instituto Nacional de Innovación Agraria (Inia), do Peru, do Instituto Nacional de Investigaciones Agropecuarias (Iniap), do Equador, e da Corporación Colombiana de Investigación Agroecuaria (Agrosavia), da Colômbia, conheceram o impacto das tecnologias na mudança do cenário agropecuário da região. Os sistemas integrados, especialmente, são o que mais despertam interesse entre os visitantes. 

A visita pelo campo experimental, guiada pelo pesquisador Lourival Vilela, suscitou dúvidas, comentários e impacto entre os visitantes. Vilela descreveu como foi o processo de implantação das áreas de pesquisa na Embrapa Cerrados e na Embrapa Agrossilvipastoril, as dificuldades enfrentadas e os desafios que surgem a cada etapa. Falou ainda dos resultados que estão sendo mensurados no Brasil e viabilidade de implantação em outros países. 

A pesquisadora Martha Bolaños, da Agrosavia, disse ter ficado muito impactada com pesquisas que conheceu no Brasil e que isso a deixou mais motivada para concretizar acordos para pesquisa, desenvolvimento e inovação de sistemas integrados, com produção agrícola, pecuária e florestal: “Já entendemos sua viabilidade [do ILPF] e viemos discutir a possibilidade, e acredito que agora isso está mais próximo, de desenvolver esses sistemas em nossos países, a partir de pesquisas de referência da Embrapa Cerrados e outras unidades e com o apoio dos seus pesquisadores”.

Martha informa que há um convênio técnico com o Brasil em andamento e que abrange seis linhas de pesquisa e que em breve deverá ser enviado para a Embrapa. 

Já Sonia Ospino, também da Agrosavia, ressalta que, apesar das diferenças de solo e clima que existem nos países da América Latina, há muito investimento no desenvolvimento de bioprodutos, como fertilizantes e insumos, e que muitos já estão no mercado. Mas é necessário que haja uma maior divulgação desses produtos para tornar as atividades agrárias mais sustentáveis. “É preciso dar mais visibilidade a esses bioinsumos, para uso no manejo integrado de fertilizantes e também no manejo integrado de pragas e doenças, para que se tenha uma intensificação da produção, buscando maior produtividade por área, desde que seja sustentável, desde que conservemos ou melhoremos recursos como solo e água, e obter uma produção mais efetiva”, enfatiza. 

Gregorio Argote concorda. O pesquisador do Peru lembra que seu país, apesar de estar 3.800 metros acima do nível do mar, veio conhecer os trabalhos da Embrapa. Ele acredita ser fundamental que os países participantes do Procitropicos intercambiem conhecimentos e experiências. E ele arrisca: “Quem sabe alguns de nossos pesquisadores venham passar um tempo aqui e os daqui nos encontrem no Peru”. 

A visita foi organizada pelo Programa Cooperativo de Investigación, Desarrollo e Innovación Agrícola para los Trópicos (Procitropicos), do qual fazem parte os países que estiveram representados na Embrapa Cerrados, e pelo Instituto Interamericano de Cooperación para la Agricultura (IICA).

Outras atuações 

A pesquisadora Ieda Mendes apresentou as principais linhas da Embrapa Cerrados e seus resultados ao longo dos anos. Em visita a campo, os visitantes viram in loco como os conhecimentos desenvolvidos sobre os solos do Cerrado atuam no desenvolvimento de plantas. Técnicas como calagem, adubação e plantio direto aplicadas no campo experimental comprovaram sua eficácia, mesmo após 10 anos de interrupção das adubações, como explicou o pesquisador Thomaz Rein: “O efeito residual da adubação no milho se mostra visível mesmo depois de tanto tempo. Ele é ainda mais atuante no experimento com plantio direto” 

O histórico do melhoramento genético da soja foi o tema da conversa dos estrangeiros com o pesquisador André Ferreira Pereira, que falou sobre o desenvolvimento de sojas transgênicas e as perspectivas para esse ano e os próximos: “Devemos lançar em breve uma nova variedade de soja transgênica, essa do terceiro ciclo de transgênicos desenvolvidos no Brasil. Além de serem resistentes ao glifosato, apresentam grande resistência às lagartas desfolhadoras”.

 

Juliana Miura (MTb 4563/DF)
Embrapa Cerrados

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